O que você deve saber sobre acne

Dra. Patrícia Farah
*Artigo publicado originalmente na revista Saúde Joinville.

A acne é uma desordem multifatorial da unidade pilo-sebácea. O surgimento da acne pode ter envolvimento genético, mas a inflamação local, assim como a proliferação bacteriana e os efeitos hormonais sobre a produção de sebo fazem parte dos fatores causais.

O impacto econômico e psicossocial da acne pode gerar introspecção e isolamento social nos afetados.

O pico de incidência ocorre durante a adolescência, afetando aproximadamente 85% de jovens entre 12 e 24 anos. Podendo se estender até os 44 anos em 12% das mulheres e 3% dos homens.

Pessoas com puberdade precoce, síndrome dos ovários policísticos ou outros distúrbios endócrinos têm risco aumentado de acne mais grave que não responde à terapia padrão.

As lesões da acne podem ser caracterizadas por comedões, lesões inflamatórias que podem evoluir para nódulos ou cistos, podendo variar de acne comedoniana leve à doença sistêmica fulminante.

Como tratar acne?

O tratamento precoce da acne é essencial na prevenção de cicatrizes, de hiperemia persistente e hiperpigmentações.

A acne pode ocorrer também por causas mecânicas, pode ser induzida por drogas e pode ser confundida por outras doenças como miliária, hiperplasia sebácea, tumores cutâneos, foliculites, rosácea, entre outras.

Inicialmente, o tratamento da acne pode ser somente tópico, com agentes comedolíticos e com ação anti-inflamatória.

Modificações no tratamento podem ser necessárias em 3-4 semanas, na tentativa de alcançar melhor resultado no tratamento.

O Peróxido de Benzoíla é uma substância bactericida, diminuindo a população de bactérias dentro do folículo piloso. A associação de retinoides tópicos com peróxido de benzoíla ou até antibióticos tópicos alcança uma eficácia reforçada.

O protetor solar é imprescindível no tratamento da acne, evitando as irritações quando da exposição solar, com o uso dos medicamentos e, também, as hiperpigmentações.

Os antibióticos tópicos podem ser utilizados sozinhos ou em associação com peróxido de benzoíla ou tretinoína.

Já os antibióticos orais são utilizados mais para a acne moderada à grave.

A terapia hormonal é a segunda linha de tratamento para acne, sendo muito eficaz, independente de haver distúrbios hormonais ou não. Para o uso de contraceptivos orais, o ideal é consultar um ginecologista.

A espironolactona é um antiandrógeno, indicada nos casos de alterações hormonais.

Por último, porém não menos importante, temos a Isotretinoína, no caso de acne não responsiva ao tratamento com as medicações anteriores e que poderiam deixar cicatrizes emocionais e físicas. Efeitos colaterais podem surgir no seu uso, se não forem recomendados os cuidados necessários. A duração do tratamento é mais prolongada, e muito cuidado para não engravidar deve ser tomado devido ao risco de teratogenicidade (riscos fetais).

Logo, é recomendado acompanhamento por um dermatologista durante o tratamento da acne para atingir os melhores resultados, com menos efeitos colaterais possíveis.

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